TERRAS RARAS > Cabo Verde identifica novo alvo no Complexo Alcalino de Poços de Caldas - Cooperativa Ventura Ventures

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31 janeiro 2026

TERRAS RARAS > Cabo Verde identifica novo alvo no Complexo Alcalino de Poços de Caldas




A Cabo Verde Mineração identificou um novo alvo de detalhe para Terras Raras, denominado Alvo Botelhos, e já iniciou a sondagem por trado mecânico na área, localizada na borda do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. O avanço amplia o escopo de um projeto que já tem potencial superior a 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas, com escala suficiente para se posicionar entre os maiores empreendimentos de Terras Raras em desenvolvimento no Brasil.

A abertura do Alvo Botelhos acontece na continuidade da sondagem de detalhe em malha regular no Alvo Caconde 1, também situado na periferia do complexo alcalino, onde os trabalhos prosseguem com foco na certificação de recursos inferidos segundo padrões internacionais como JORC e NI 43-101. Os dois alvos integram um programa de pesquisa conduzido sobre um bloco de áreas contínuo de aproximadamente 91 mil hectares que abrange quatro municípios da região e estão distribuídos em 57 direitos minerários, em um dos corredores geológicos mais prospectivos do país para os Elementos de Terras Raras.

Os dados obtidos até o momento confirmam a presença de um sistema de Terras Raras do tipo argilas iônicas, classe de depósito considerada estratégica no mercado internacional por sua elevada recuperação metalúrgica, menor complexidade operacional e forte aderência às cadeias industriais ligadas à transição energética. Os alvos de detalhe têm apresentado continuidade lateral e vertical da mineralização, com perfis de intemperismo contínuos e intervalos mineralizados que atingem em alguns pontos aproximadamente 20 metros de espessura. Entre os principais resultados técnicos obtidos pela Cabo Verde nos alvos prioritários estão intervalos como 16 metros com teor médio de 2.425 ppm de TREO, incluindo 4.302 ppm de TREO e 854 ppm de MREO, grupo que reúne os elementos magnéticos de maior valor econômico, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Em diversos furos, a sondagem foi concluída ainda dentro da zona mineralizada, indicando potencial de expansão do recurso. Testes metalúrgicos de lixiviação realizados pela empresa em escala laboratorial na SGS GEOSOL, indicaram recuperações de TREO de até 81,7% e de MREO superiores a 60%, reforçando a viabilidade técnica e econômica do sistema.

Minério de ferro

Paralelamente ao avanço no projeto de Terras Raras, a Cabo Verde Mineração está retomando seu projeto de minério de ferro na Mina Catumbi, localizada nos municípios de Cabo Verde e Muzambinho (MG), com capacidade instalada e licença ambiental vigente para até 600 mil toneladas anuais. A operação é realizada por processo a seco, sem formação de barragens, e prevê a produção de produtos premium: lump e sinter feed, oriundos de ROM magnetítico, com teor médio em torno de 66% de ferro (Fe), destinados ao abastecimento do mercado nacional, reforçando o compromisso da companhia com práticas operacionais mais seguras e sustentáveis. “Os resultados regionais e as sondagens iniciais em Caconde 1 mostraram elevada consistência geológica, com teores contínuos e excelente resposta metalúrgica. O início dos trabalhos no Alvo Botelhos amplia essa interpretação e reforça o potencial de um sistema de Terras Raras do tipo argilas iônicas com características de classe mundial”, afirma a geóloga Maria do Carmo Schumacher, responsável técnica pelo projeto.

Segundo o geólogo e consultor técnico, Oscar Yokoi, membro do Australian Institute of Geoscientists, os resultados obtidos até o momento reforçam o caráter singular do projeto. “As anomalias estão distribuídas nos quatro quadrantes das áreas pesquisadas, com resultados que chegam a 14.000 ppm e recorrência significativa na faixa de 3.000 ppm. Trata-se de um sistema com manto de intemperismo espesso, que quebra o paradigma de que as Terras Raras estariam restritas apenas ao centro do Complexo de Poços de Caldas ou a terrenos geologicamente mais jovens”, afirma. Para Túlio Rivadávia Amaral, CEO da Cabo Verde Mineração, o momento do projeto coincide com uma janela estratégica de mercado. “Estamos avançando de forma disciplinada na definição dos nossos alvos e na geração de dados técnicos com rígido controle de qualidade. A escala do projeto, com mais de 91 mil hectares, distribuídos em 57 direitos minerários e os resultados que temos até o momento, indicam o potencial de um projeto de classe mundial, corroborando a posição do Brasil no ranking de 2ª maiores reservas globais de Terras Raras”, destaca.

A Cabo Verde Mineração informa que tem negociado acordos com players internacionais para o desenvolvimento conjunto da pesquisa mineral e da rota tecnológica de aproveitamento, incluindo etapas de processamento e agregação de valor. A empresa seguirá investindo na ampliação das sondagens, na consolidação do modelo geológico e na certificação progressiva dos recursos, com o objetivo de transformar o avanço exploratório em um projeto estruturante para a cadeia global de Terras Raras.

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